Sempre gostei de me achar velho. Achava o máximo quando era moleque e a moça da padaria imitava minha cara falando "ah, que menino sério, parece um hominho" (ainda pareço um hominho, mas, agora, por causa da altura) e então sorria e me entregava o pão. Mas quando o tempo passa e se para pra pesar as coisas como adulto, dá pra sentir a diferença entre parecer velho e se sentir velho.
Eu me sinto velho, sobretudo, quando o assunto é faculdade. Todo santo dia tenho a sensação de que aquele lugar não é pra mim. A galera em média 10 anos mais nova que eu, com assuntos em média 10 anos menos interessantes, com gostos em média 10 anos diferentes e ideias e ideiais em média 10 anos mais batidos. Professores cheios de empáfia, verdadeiras "divas" de academia (isso quando não são simplesmente incompetentes, mesmo), que conseguem perfeitamente manter a meninada sentada na carteira, mas que deixam um marmanjo de 30 anos de idade a ponto de ter um enfarte pelo fato de ser um só e, por isso mesmo, ter o apito surdo e se tentar levantar e dizer o que realmente pensa do professor e da instituição ser perseguido por semestres a fio (nota mental: nunca mais contar tempo em semestres).
Isso me faz lembrar que, seguindo essa lógica, eu tenho muito mais motivos pra detestar um eventual patrão, por exemplo. Mas o patrão pelo menos me paga um salário todo mês por ter que tolerar suas mazelas. Tem horas que se sentir velho é uma merda.
O rato.
Um comentário:
Adorava quando era criança e as pessoas olhavam pra mim e dizia que eu parecia ser mais velha. Ser mais velha dava um ar de ser mais... autônoma da vida.
Enfim, é a vida.
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